Dropkick Murphys fala sobre a expectativa dos shows no Brasil


Uma das bandas mais influentes de irish punk/harcore retorna ao Brasil após sua última visita, em 2014. Dropkick Murphys, a banda de Quincy, Massachusets, volta a pisar em solo brasileiro no final de outubro trazendo a turnê promocional do álbum “11 Short Stories of Pain and Glory” para Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba, e nós conversamos por telefone com baixista Ken Casey para saber mais detalhes.

Ken nos fala sobre a trajetória da banda desde seus primeiros trabalhos, sua visão sobre o cenário musical na atualidade, a violência no mundo e como isso influencia suas músicas, suas impressões sobre a última turnê que passou por aqui e as expectativas para os shows que acontecem no fim de outubro.

Confira a entrevista exclusiva para o Portal Focka abaixo:

Portal Focka: Vocês estão voltando ao Brasil após a última visita em 2014. Como se sentem estando de volta após estes 3 anos?
Ken: Nós nos divertimos muito da última vez, estamos muito ansiosos para voltar. As pessoas no Brasil foram muito gentis e legais conosco, e são muito apaixonadas pela música. Temos uma ótima memória da visita.

Portal Focka: Vocês têm alguma lembrança em específico do Brasil? Comeram algo de diferente, ou visitaram algum local em particular?
Ken: Infelizmente não tivêmos a oportunidade de ver muitos locais, chegamos e já tocamos um show atrás do outro e voamos para o próximo país. Tocamos apenas em São Paulo na última turnê, desta vez esperamos poder ver mais locais e fazer algo mais parecido com uma viagem, e não apenas tocar no show. Mas tivêmos a chance de visitar uma churrascaria, e foi a melhor coisa que já comi na vida, então estou muito ansioso para comer isso novamente.

Portal Focka: Como você mencionou, em sua última visita ao Brasil, vocês tocaram apenas em São Paulo. Agora, estão trazendo a turnê para três cidades diferentes. O que os fãs podem esperar destes shows?

Ken: Esperamos fazer muitos amigos. Pensamos no show como uma grande festa, onde todos estão sorrindo. Gostamos de sentir a vibração, porque gostamos de poder conhecer as pessoas. Como em São Paulo da última vez, conhecemos pessoas que nos mandaram mensagens dizendo que estão ansiosos para nos verem novamente. Para nós, o que conta é a experiência de ver o mundo, conhecer as pessoas, e não apenas aparecer e fazer um show. Se esse fosse o caso, nem sairíamos dos Estados Unidos, sabe? Poderíamos simplesmente tocar na Flórida e nem sentiríamos a diferença.

Portal Focka: O novo álbum, “11 Short Stories of Pain and Glory” foi lançado no começo do ano. Qual foi a inspiração por trás do processo criativo para este álbum?

Ken: Na verdade, estávamos passando por momentos difíceis. Muitas pessoas do nosso convívio estavam morrendo. Foi um tipo de inspiração triste, houve muita dor e mágoa, mas quisemos passar uma mensagem inspiradora: aproveite cada minuto da vida enquanto estiver aqui. Você consegue superar as dificuldades e sobreviver.

Portal Focka Entre as músicas lançadas nesse novo álbum, vocês fizeram um cover de “You’ll Never Walk Alone”, que inclusive foi um single. Qual foi o motivo que os levou a fazer um cover desta música em específico?

Ken: Ela sempre foi uma grande favorita nossa. Mas os eventos que nos levaram a gravar agora, foi porque tem ocorrido uma grande epidemia de mortes causadas por overdose de heroína onde moramos. E essa música é como um hino para mim. Um hino que diz que você não precisa partir assim. Você não precisa ficar sozinho e não precisa desistir. Você tem amigos, tem pessoas que estão aqui para ajudá-lo. Na realidade, a música tocou quando eu estava em meu carro a caminho de um enterro, e então percebi que a letra era importante. E foi isso que gerou a motivação para gravarmos nossa própria versão dela.

Portal Focka: Sua música “4-15-13” é um tributo às vítimas do atentado à maratona de Boston (que ocorreu em 2013). E recentemente ocorreu um tiroteio em massa em Las Vegas. O que você pode me dizer sobre seu ponto de vista em relação a estes eventos?

Ken: Vivemos em um mundo louco. Você nunca está seguro em lugar nenhum. É quase como se o mundo dissesse: “Espero que um dia a gente consiga fazer com que isso pare”. Tenho esperança por mim e por aqueles que amo. Mas quando uma coisa dessas acontece… e tem acontecido tanto! Nós fomos muito afetados pelo que ocorreu, éramos muito próximos de pessoas envolvidas no bombardeio de Boston. E ver o que ocorreu em Las Vegas é assustador. Há 15 anos, nós costumávamos tocar o tempo todo na casa de shows em Paris onde também ocorreram tiroteios (em atentados ocorridos há 5 anos). Ter estado lá faz você perceber como a vida pode acabar tão rápido.

Portal Focka: Qual a sensação de estarem na estrada há mais de 20 anos com uma carreira de sucesso?

Ken: É meio surpreendente. A banda começou meio que como uma brincadeira, sabe? Matt, meu amigo, tinha uma banda e me desafiou. Ele disse: “Você sempre fala sobre começar uma banda. Minha banda tem um show dentro de 3 semanas, por que você não monta uma banda e abre pra gente?”, e tudo começou como um desafio. Então eu disse “Ok”, e não deveria ser nada além disso. Nós sempre tivemos expectativas tão baixas para a banda (risos). E sempre ficamos muito felizes com o sucesso. Algumas bandas sequer aproveitam o sucesso que têm, querem saber “por quê não temos mais sucesso?”. Nós sempre olhamos para o copo meio cheio e ficamos tão felizes sempre que algo bom acontece, porque realmente nunca esperamos nada disso. Nos sentimos muito sortudos.

Portal Focka: Quais são seus pontos de vista sobre a cena musical atual no mundo?

Ken: Fico dividido. Porque de certa forma o cenário está tão promissor para jovens músicos e bandas. Eles conseguem ficar tão próximos do público e da gravadora, podem gravar a música de uma forma barata, há muita tecnologia que pode ser utilizada na música e eles podem assinar contratos rapidamente com as gravadoras. Mas ao mesmo tempo, temos essa visão de que ocorre em passos lentos e constantes, não é como ter sua própria gravadora, ter seu próprio estilo e quando você ganha um fã, você tem ele pro resto da vida. Na gravadora, lançam uma banda nova por ano e o fã esquece da banda anterior e segue para a próxima. Acho que é mais difícil para eles se projetarem.

Portal Focka: Dropkick Murphys têm um estilo único e original. Quais bandas os inspiram atualmente para continuar inovando?

Ken: Ah, não sei se há alguma banda atual. Eu nunca fui de escutar outras músicas para buscar inspiração, na verdade. Escuto muito rock’n’roll antigo, sabe? Mas acredito que nosso som evoluiu muito. Às vezes, sem querer, sabe? Quando começamos, éramos só guitarra, baixo, bateria e vocais, e com o tempo fomos apresentados a uma nova instrumentação e aprendemos a tocar melhor os instrumentos. Tem o fator de que todos fomos progredindo em posições que fizeram nosso som continuar evoluindo e mudando. E definitivamente temos uma grande influência no punk rock britânico, mas gosto de pensar que temos nossa própria identidade forte.

Portal Focka: Vocês têm uma gravadora própria há mais de 10 anos já, certo?

Ken: Isso mesmo, temos nossa própria gravadora há 10 anos, mas desde nosso primeiro álbum, quando começamos, tínhamos nosso própria pequena gravadora chamada Flat Records. Costumávamos lançar nossas músicas em vinil, isso nos primeiríssimos lançamentos da nossa banda e das bandas de alguns dos nossos amigos, em um nível bem pequeno, com poucas cópias lançadas. Mas foi assim que começamos. Então, seguimos para outra gravadora pelos primeiros 10 anos da nossa carreira, e então pensamos que queríamos voltar e fazer por nós mesmos.

Portal Focka: Você gostaria de mandar uma mensagem para os fãs no Brasil?

Ken: Gostaria de dizer que fomos tratados tão carinhosamente pelas pessoas no Brasil em nossa última visita. Nos últimos três anos senti muita vontade de voltar. Somos muito gratos por tocar música para fãs tão apaixonados e gratos. Estamos ansiosos para fazer essa viagem ser ainda melhor do que a anterior.

A banda passa pelo Brasil e segue para Argentina, Chile e Colômbia na turnê pela América Latina.

Dropkick Murphys no Rio de Janeiro:

Data: 27/10/2017 (sexta-feira)
Local: Circo Voador (Rua dos Arcos, s/n)
Ingressos:
PISTA / ARQUIBANCADA: R$ 130,00 (meia-entrada OU doando 1 kg de alimento não perecível) / R$ 260,00 (inteira)
Vendas: http://www.circovoador.com.br/

Dropkick Murphys no Rio de Janeiro:

Data: 28/10/2017 (sábado)
Local: Tropical Butantã (Av. Valdemar Ferreira, 93)
Ingressos:
PISTA PREMIUM: R$ 250,00 (meia-entrada OU doando 1 kg de alimento não perecível) / R$ 500,00 (inteira)
PISTA: R$ 150,00 (meia-entrada OU doando 1 kg de alimento não perecível) / R$ 300,00 (inteira)
CAMAROTE: R$ 250,00 (meia-entrada OU doando 1 kg de alimento não perecível) / R$ 500,00 (inteira)
Vendas: http://www.clubedoingresso.com/

Dropkick Murphys em Curitiba

Data: 29/10/2017 (domingo)
Local: Hermes Bar (Rua Engenheiro Rebouças, 1645)
Ingressos:
PISTA: R$ 150,00 (meia-entrada OU doando 1 kg de alimento não perecível) / R$ 300,00 (inteira)
Vendas: http://www.clubedoingresso.com/

Ouça ’11 Short Stories of Pain & Glory’ na íntegra no Spotify

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