Hot! Zélia Duncan esgota ingressos por 2 semanas em São Paulo.

Zélia DuncanPor dois finais de semana consecutivos, a cantora de MPB  Zélia Duncan cativou, com sua voz rouca e aveludada, o público que esgotou os ingressos do SESC PINHEIROS, interpretando suas canções de maneira absolutamente singular, em sua mais recente turnê Pelo sabor do gesto.

Segundo Zélia, o nome do álbum (lançado em 2009) tem uma explicação que vai além de um título para nomear o conteúdo do cd. A turnê pelo sabor do gesto é quase um sentimento de gratidão aos fãs , pois a cantora se privaria de compor durante um tempo, mas sentindo que precisava lançar um cd , pelo menos pelo sabor de ter esse gesto com os fãs, surgiu um álbum recheado de músicas sensivelmente poéticas, como já era de se esperar.

Num palco sem muitas cores, porém com a delicadeza de uma obra de arte, como se estivessem tocando na sala de casa, Ézio Filho (direção musical e contrabaixo), Webster Santos (guitarra, violão e bandolim), Léo Brandão (teclado e acordeon),  Jadna Zimmermann (percussão e bateria) e  Zélia Duncan, pareciam brincar de soar acordes em tons melodicamente excitantes.

Os fãs embalados pela beleza sonora de um show com quase 2 horas de duração, aplaudiam encantados a cada poema recitado entre as canções. Ela seduzia no olhar, no tom, no acorde e ainda nas palavras expressas, e numa linguagem entrelinhas, fazia refletir com frases curtas e complexas.

O álbum, que teve participação especial de Fernanda Takai e composições de Chico César e Zeca Baleiro, contou também com a produção do show e videoclipe da atriz e também amiga particular de Zélia, Ana Beatriz Nogueira.

Entre as novas canções, pudemos saborear (com o gosto de querer repetir a sensação), logo no prato de entrada: Boas Razões, Ambição, Telhados de Paris e Se Um Dia Me Quiseres. A música Duas Namoradas, transparece ainda mais a sensibilidade dela, mostrando além do duplo sentido, um jeito simples de falar de onde vem inspiração para o que compõe, lembrando que a música e a poesia andam juntas na tarefa por não deixá-la em paz (e nós claro, agradecemos à elas!).

Entre a qualidade e a beleza do show num todo, o momento em que (sinceramente) mais me tomou por arrepios, foi na música Todos os verbos, onde Zélia fala sobre um e-mail que recebeu de uma fã de Portugal. Não pelo fato desta fã não ser daqui e nem porque gostaríamos de estar no lugar dela, mas sim pelo simples fato dela não ser ouvinte como nós e traduzir as músicas de Zélia (uma artista que ela admira) para língua de sinais, com tamanha sensibilidade, e a cantora, em homenagem à ela, nos presentear no show com essa interpretação. Penso como disse a própria cantora: Adoro quando alguém me tira da ignorância!

O que Zélia transmitia com o violão nas mãos e a demonstração do desejo insaciável de cantar era gostoso de assistir. Falava ao ouvido de todos, mas acredito que ao coração, somente dos que tinham ele aberto naquele instante, pois a complexidade e rapidez com que a palavra e a frase nos arrebatava , nos fazia perder o gosto doce do minuto presente, com  o novo prazer conquistado pela nova expressão.

Ora parecia uma menina reprimida, dentro do pouco espaço em que a distância entre o pedestal e sua boca lhe permitiam estar, outra, uma mulher ousada e sexy roubando toda a atenção para seus lábios e mãos sincronizados na pegada do bom som.

Na sequência de canções inesquecíveis, a cantora se despediu com uma expressão calma, traduzida pela música Alma, no último dia da primeira semana da turnê.

Eis o motivo de Zélia Duncan ter esgotado os ingressos do auditório Paulo Autran no Sesc Pinheiros  por dois finais de semanas seguintes. Cantando e encantando com seus gestos e singularidade, não há quem não queira prestigiar uma boa música e um bom show! Que venham os próximos finais de semana, e anos e… Seja sempre bem-vinda Zélia Duncan!

Confira as fotos show:

Zélia Duncan | SESC Pinheiros – SPAmpliar Galeria

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